12 de ago. de 2009

Por falar em mudança....

http://vanessaayala.wordpress.com/

11 de ago. de 2009

Tempo, tempo, tempo

Hoje ouvi de uma pessoa que conheço a pouco, mas que já adoro freneticamente que às vezes deixar um alguém crescer não exige gritos, e sim, silêncio. Fiquei chocada. Na minha imaturidade adolescente, na urgência tola de viver, não percebi o óbvio: depois de dito, cale-se.Ficar martelando na mesma tecla nem sempre é a maneira certa. O tempo é sábio, isso é certo. Às vezes, ele só precisa se deixar levar.Como diria minha tia Necka, numa das frases que considero a mais genial de sua autoria: "dê tempo ao vento, ele vai passar". É simples assim. Acredito apenas que não consegui esse grau de discernimento por que ainda não plantei meu livro, li um filho ou gerei minha árvore - na ordem que me convier mesmo. Agora respondo a pergunta de Marcelo Camelo em uma de suas músicas: "de onde vem a calma?". Simples, de tempo. Não qualquer tempo, logicamente, caso contrário sentaríamos na calçada, esperaríamos a vida passar e seríamos gênios da história. A calma essa que vos falo, senhores, é a aquela de ter aprendido com a vida, de ter se arriscado, de ter observado e memorizado tudo que foi visto, permitido apenas a quem tem anos de estrada, hoje, nossos pais, mães, avós e por ai vai.Brinquei dia desse com um amigo meu justo sobre o tema e nem havia me dado conta, disse assim: "você acha que sua mãe já nasceu velha?".Rimos. Comentávamos dos aparentes poderes maternos em desvendar um simples olhar de um filho, ou de quem quer que esteja em volta. Agora, somente 4 dias depois percebo que nada tem de sobrenatural em reconhecer alguém assim de primeira, é apenas um bônus da idade. Então, vamos envelhecer um pouco. Faz bem aprender a aceitar o tempo. =}

10 de ago. de 2009

Tem algumas atitudes que não consigo entender, uma delas é persistir. Existe uma linha bem tênue entre ser persistente e ser um mala completo.Na realidade, é bem difícil perceber em qual dos lados você está sem que algum dos seus mais sinceros amigos lhe diga de forma nua e crua, face to face. A maioria esmagadora das pessoas que conheço está do lado perdido: brasilidade demais. Quem nunca viu a propaganda: "sou brasileiro, não desisto nunca". Aposto que agora passa pela sua cabeça que em nosso sangue vibra essa determinação.Pode ser, nunca vamos entender o resultado dessa mistura que forma nosso povo, mas quero dizer que sábios mesmo, são aqueles que sabem ponderar. Batalhar sempre, desistir quando necessário.Recuar não é sinal de fraqueza, às vezes é amor proprio, outras, bom senso e respeito pela outra pessoa. Vamos ao exemplo prático:
- Você gosta de alguém, esse alguém gosta de outra pessoa. Vá embora. Diga o que sente, mostre as vantagens de ficarem juntos, se nada disso funcionar, largue de mão. Caso você permaneça ali, corres o risco de ser mal interpretado, de ser julgado, usado, maltratado...Não deu, paciência. Talvez um dia a pessoa volte, talvez não. Só não deixe de viver tudo de bom que pode ser vivido longe daquilo que machuca. Em casos extremos, se fores como eu que um dia está apaixonada e no outro, não mais, siga os mesmos passos e depois vá fumar um cigarro, pintar o cabelo, colocar um piercing, e mostre pra você mesmo que pode mudar, pode virar o jogo, seguir um caminho diferente. Mudança, gera mudança.
Um dos homens mais sábios na arte de viver, Sun Tsu, disse algo bem semelhante: "Não interrompas a marcha de um exército em seu retorno para casa. Um exército cercado deve ter uma saída. Não pressiones um inimigo desesperado."

Vá pra casa. Tome um café, leia um livro,permita-se viver. Quem sabe o que está guardado pra você?

9 de ago. de 2009

Dia dos pais

Pai não é aquele que gera. É simples colocar a culpa na mulher e cair fora. Pai de verdade, é aquele que não dorme, que não come de preocupação, que nunca se ausenta, ainda que distante e que jamais deixa um filho desamparado. Não adianta carregar o mesmo gene, se ele não leva consigo o mais importante: amor. Esse, é uma conquista feita diariamente, e não nas grandes proezas, mas nos menores detalhes. Hoje é dia dos pais. Uma desculpa imensa para agradar aquela figura paterna e fingir que está tudo bem.Hipocrisia pura. Quando se ama alguém tanto faz a data, a hora ou local, você demonstra e pronto.E é nesses pequenos gestos que identificamos o homem que merece ser chamado de Pai, com letras garrafais e bandeirinhas comemorativas. Ser esse grande cara, requer talento, não é pra qualquer um. Colocar o filho no mundo, é bem fácil e prazeroso.Acordar as 4h da manhã pra buscar numa festa, as 5h para levar no hospital ou as 17 pra buscar no colégio, tendo todos os outros compromissos do dia pela frente, isso sim é o que mostra quem realmente nasceu com esse dom. Conversar nas madrugadas, dar apoio pros vôos todos, ser companheiro, preservar sua autoridade e ainda assim conseguir ser a pessoa mais doce e carinhosa do mundo, isso sim é ser pai, e um dos grandes. Por isso, hoje não venho aqui dedicar linhas coloridas ao meu que dizem "biológico", porque ausente de mim a mais de oito anos, se passar na rua, não me conhece, mas sim àquele que é verdadeiramente um pai pra mim: Gilson França Goulart. Poderia gritar aos ventos o quanto te amo, o quanto te admiro e sinto sua falta diária, porém não quis, tem coisas, peyzinho, que só nós dois teremos pra sempre. Coisas essas realmente de Pai e filha. Eu te amo mais do que podes entender e sei lá no coração que é recíproco. Obrigada por todos os dias até hoje, ter te conhecido e te ter na minha vida é uma grande luz pra mim.Feliz teu dia, porque é teu. Desculpa não estar ai, mas sei que tu me sente sempre pertinho, na real, nunca estou longe suficiente pra te deixar.

Parabéns, meu véio.
meu grande amigo.
M-E-U Paizão

8 de ago. de 2009

Sinto-me limpa. Levantei a apenas 1h, ainda meio bêbada do álcool que não ingeri e estou com aquela gostosa sensação de leveza que só as frustrações e as superações conseguem traduzir. O céu está chuvoso, mas nem ligo, vou lavar roupa. Delas, espero apenas que um dia sequem, se não secarem, saio nua. Brincadeira. Não me sinto tão livre assim, mas estou esperando o óbvio: que depois de lavadas, penduradas e deixadas em repouso, voltem ao seu estado natural. Nada mais justo, no entanto, não espere demais, ela não vai lhe dar um presente ou ser passada automaticamente, essa é a parte em que ela precisa de você e do ferro. É somente pretender o que é passível de retorno, nem mais, nem menos. Se é função da geladeira, gelar, não peça ao fogão, por mais boa vontade que ele tenha, vai no máximo aquecer pouco. É como pedir flor a um cactus, quem sabe uma vez por ano ele lhe atenda? Das pessoas, não deveria ser diferente.É tudo lógico, apesar do coração descompassar vez que outra.Errar é humano e nada mais humano que se apaixonar. Mesmo assim cuidado com os pedidos, vai que você esteja querendo da máquina de lavar que ela exiba o noticiário. o.o"

7 de ago. de 2009

Quero um cigarro, mas não fumo. Não gosto do gosto da fumaça em minha boca, nem do cheiro que fica em minhas mãos.Então por que faço? Simples: preciso. Preciso de algo pra fazer com as mãos quando elas querem procurar as tuas, algo pra ocupar meus pensamentos, quando eles teimam em buscar os teus, liberdade para os meus olhos que acompanhando a fumaça esquecem de te buscar. Preciso de uma desculpa, de um alívio pro meu coração. O cigarro vem assim, quando mais necessito e menos consigo disfarçar. Um bom amigo, talvez como todos os outros, de algum modo ele está me traindo, me matando, pretendendo algo comigo que não a vida, mas a morte. Talvez por egoísmo ele me queira sempre perto, sempre sua, e eu, tola, me entrego. É fácil demais eu me perder.Então que eu seja dele.Assim, esqueço de você.

*indo pra rua fumar.*

Fado tropical - Chico buarque

Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar

Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora..
Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intencão e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa

Suicídio.

Acordei nauseada, meus medos estão entalados na garganta.Estou sufocada pelas palavras não ditas. Quando foi que aprendi a calar? Antes, sempre tão expansiva, explosiva, corrosiva, não importava a quem as palavras iriam, ou como seriam recebidas ou interpretadas, simplesmente deixava que de mim saíssem, contudo hoje, elas não me querem abandonar. Estão arraigadas no meu estômago, no meu peito e coração. Por nada vão sair, ou me deixar em paz. O que faço? Talvez seja esse um sinal de que ainda estão verdes demais para serem soltas sem rumo certo. Compreendo-as, no entanto, o que faço com esse peso em mim até que maduras, elas sigam pra longe? Não sei. O mundo gira. Nem uma dose de absinto me faria tão fora de mim. Não me encontro.Essa sensação não quer passar. Fico agoniada com as coisas que desconheço, elas são meu mistério pessoal, minha tragédia grega. Não há como acabar bem. Voltando ao não dito que me sufoca, estou morrendo por dentro. As palavras presas se tornaram um veneno doce, findando meus dias lentamente. Chega a ser irônico. Quando perguntarem de que morri, dirão: "de silêncio. Uma dose tão fatal que exterminou inteiramente o sopro de vida daquela menina de olhos tão vivos." Minha luz está pouco a pouco se apagando.A essência que carrego nunca permitiu que eu me calasse.Desconheço o que acontece nesse momento, mas não consigo evitar: não libertarei as meninas que matam, pois delas preciso mais do que elas a mim. Deixa estar. Quando todas as palavras consumirem meu último fio de vida e ainda antes de partir, vou sorrir uma última e infinita vez: ninguém saberá o que calei.

6 de ago. de 2009

"E os olhos do menino que ela amava a amavam magra demais..."

Dormi tarde. Nua demais pra conseguir deixar o vento que rondava minha janela passar sem fazer estragos. O telefone não tocou. A frase não foi dita. A luz não acendeu. E era tão óbvio. Nada. Porque pra mim, sempre nada. Seria eu o diferencial de uma vida? Impossível. Inconcebível. Faltam as mexas loiras, as marcas doces, a falta de tato - não aquele do toque imediato, mas o de não tocar. Ego? Talvez. O príncipe encantado deve ser o mesmo pra todas as mulheres, algumas resolvem não assistí-lo, outras, não buscá-los, algumas tentam e uma consegue, duas talvez. Por que tanta armadura? Por que tão intransponível? Por que tantos requisitos se nada é totalmente perfeito? Por que querer algo que não se tem? Humanidade demais me cansa. Assisto a vida dos outros, assistindo também a minha. Não me encaixo, em partes por que não quero, mas também por não ceder, por falar demais, por prever demais. Racionalidade é uma característica predominamente masculina, Deus quis brincar comigo, e me deu isso tbm. Como se não bastasse ser um alienígena social, ele ainda me transformou brutalmente em um menino. Onde estão os adornos? Os creminhos pra pele? A leveza do rosto? Não sei, pra mim é que não veio. Estou numa linha entre eles e elas, ou seja, nada. Tenho tudo de um e tudo de outro o que me faz um amor de pessoa, se eu não complicar, porque ai me torno insuportável, chateio ambos os lados. Precisava que os olhos alheios me vissem menina, mas nem eu acredito muito na imagem que quero mostrar...acho que não funciona quando a gente não acredita.Esse post n está fazendo sentido, nem tem fins lucrativos, só uma tpm, uma chuvinha e muito frio, pra soltar uma cabeça louca e sem celas. Deixa estar...vai passar...

5 de ago. de 2009

Free Bird...

Odeio cópias. Rascunho, riscado, inacabado, tem muito mais valor do que a obra pronta. Por quê? Porque eu gosto quando não faz sentido. Prefiro quem tenta, quem ousa, quem acredita e deu. Doa a quem doer. Mesmo nada sendo original, prefiro quem reiventa o que já existia. É mais difícil, e exije sangue, e tudo aquilo que sangra, tem valor inestimável pra mim. "Perfeição demais me agita os instintos", como diria a Zélia Duncan. E se o preço pra eu ser eu mesma for não ser nada que esperam de mim, estou dentro. Aceito a condição. Talvez nunca consiga me entender, nunca me descubra por completo, em compensação, sempre terei algo pra desvendar em mim. Hoje vivo aqui, em Frederico Westphalen, quem iria imaginar? A menina festeira, de ar desligado, que não dava satisfação, se ajeitou na vida. Mérito? Talvez. Talvez eu tenha mesmo merecido o que conquistei por ter tentado.Não do jeito como mandaram, só do jeito que eu sei tentar. Certo? Errado? Não me compete julgar. Vou vivendo a vida que sei, aprendendo, ou tentando, porque a lição nem sempre é fácil de entender, mas é isso ai: estar aberto as possibilidades. Tem gente que fica parado, tem gente que anda, outros que correm, no meu caso, eu sei voar. ;}

20 de jul. de 2009

Não sou fã de Martha Medeiros...mas que às vezes ela acerta, isso é fato ;)

"Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!"

6 de jul. de 2009

Há algo nele que não sossega. Uma inquietude no corpo, nas mãos, que o tornam único e louco.Há nele um tom jovial demais pra alma velha que carrega naquele corpo forte. Há nele um mundo de sonhos palpáveis e idéias sólidas, quase instrasponíveis e inatingíveis. Há algo naquele olho indefinidamente castelhano que me despe instantaneamente, que me torna tímida e casta. Há nele uma fartura de frutos maduros, de germinação, de colheita, que é impossível dizer que ao lado dele não tenho nada. Há, no homem que é música, uma realidade paralela a minha, que me enlouquece. Há nesse menino levado, tão belas mãos que me confundem, as queria pra mim, mas não dele, que é meu...Há no viver com ele uma vida que jamais sonhei e sempre quis: uma varanda, filhos correndo - 3 -, fotógrafos na janela e muita música e dança. Há no dia, há na noite, esse de quem vos falo.Ele é um equilíbrio da balança que das estrelas o guia.Meu equilíbrio sombrio de amor e sexo, de fogo e frio, de criança e velho, de hoje e sempre. Há algo nele que o torna meu sem que eu precise ser mais do que sou, dele.

26 de jun. de 2009

Caminhando...

Finalmente conquistei algo: passei no vestibular. Pro curso que queria, pro local que escolhi, em terceiro lugar e como se não bastasse, em uma faculdade federal. Lindo. Ai, aparece um homem.Um daqueles de tirar o fôlego - literalmente -, de trocar as pernas, de perder as noites clareando pensamentos, pele e idéias...e ele se interessa por mim. Lindo de novo. Mas por que não me sinto feliz? Da primeira conquista, eu esperava mais festa, foi tão suada. Tinha esquecido que o mundo não pára quando tudo tá muito bem.Dolorido. Superável. Da segunda, esperava mais loucuras e menos realismo. Por que não sermos até irmos? Não sei. Só não me sinto dele como talvez devesse por ter escolhido a minha vida em primeira mão. E como é complicado assumirmos as rédeas do comportamento, da corrida, do futuro, sempre algo fica pra traz, esquecido.Entre uma escolha e outra, uma sobra.Óbvio. Dolorido. Nessa, fica o coração. Palpitou tão inconsequentemente por tanto tempo que quero dele nada mais que silêncio e ausência.Talvez agora ele entenda quem manda na casa...

17 de jan. de 2009

Como nossos pais...

Dia desses reclamei do blog da minha mãe. Argumentei dizendo que a densidade dela me incomodava. É chato ler sempre frases dramáticas, melancólicas e tão lindas que instantaneamente arrancam lágrimas. Ela deu uma risada, não gostando e ignorando meu comentário. Hoje, reli os meus últimos posts e me deparei com tantas palavras pesadas que cheguei a cansar de ler na segunda, terceira linha. Não adianta fugir:somos iguais a eles. Não sei se é a educação, a convivência, o respeito ou admiração, mas algo em nós transforma esse ser em formação praticamente uma cópia do progenitor, não tem muito como escapar. Às vezes, as semelhanças são mais físicas do que psicológicas, outras, é justamente o contrário, contudo, por mais que neguemos, a verdade é extremamente latente.
Lembro-me que desde pequena queria escrever como minha mãe, adorava chorar lendo as poesias dela. Odiava quando as cartas eram pra mim e de saudade, porque me tiravam a paz e a felicidade durante uma semana inteira.Escrevi copiando o estilo dela, aos poucos fui enjoando e tentando desesperadamente achar algo que fosse meu.Nesse caminho, deparei-me com Lya Luft, Clarice Lispector, Martha Medeiros e Gabriel Garcia Marques e adorei a descoberta.Todos eles compartilham de uma qualidade estilistica que eu realmente gosto: a sinceridade. Não tem meias palavras, as coisas são cruas e comuns e desse cotidiano nasce história, poesia e bons conselho. Nada de linguagem rebuscada, metáforas complexas, tudo no preto e branco, doa a quem doer. Por um bom tempo consegui ser assim, mas ai apareceram os problemas e eu perdi completamente a leveza. Não consigui conter as emoções enquanto escrevia e o resultado está nos dois posts abaixo. Tudo que eu disse poderia ser resumido com "amor, me perdoa" e "tive uma no de merda e por isso fracassei no vestibular", apesar de que pensando bem não teria a menor graça ler as coisas assim tão vazias. Nem 8 nem 80. Vamos tentar de novo...literalmente!

15 de jan. de 2009

Dia desses ouvi a história da bailarina.Conheces? Fala a respeito de persistir e tornar-se aquilo que se sonha, ou simplesmente desistir.Instantaneamente, acabei por me identificar com aquela que torna fagulhas em teatros e traumas, que desiste e foge por medo do fracasso. Percebi que sempre corri de tudo e acho que me entendi humana assim. Outra coisa que descobri nessas tantas é uma batalha só pe ganha com luta, e quanto mais dura, mais difícil, mais intransponível, melhor é o sabor da conquista. Piegas? Completamente. Mas quem nunca se deparou com um óbvio complicadíssimo de se compreender verdadeiramente? Pois bem. Tive o melhor e o pior ano da minha vida, dividido graciosamente em dois semestres: o primeiro, da vida normal; o segundo, das tragédias gregas. E claro, a parte dramática veio acompanhada de um vestibular, o aniversário de 21, um "casamento", e uma grande desavença. Sem contar tpm, calor e 7 kg a mais. Não pense que estou reclamando, quero apenas que perceba como eu o quanto tudo sempre tende ao equilíbrio.Caos? Que nada! O equilíbrio é muito mais assustador que viver simplesmente em constante instabilidade. Consegues imaginar o tédio?É conveniente que as pessoas em geral acreditem na desordem, ela vende, assusta, promove a fé. Já a balança imóvel, ao centro, é verdadeiramente cansativa. Voltando ao assunto, de súbito recebi o que dei, e vice-versa, nem mais nem menos.Antes, na infância, era habituada a ganhar sempre mais, condição de menina mimada, de única bisneta entre uma tribo de mulheres efetivamente insuperáveis - tanto pelas qualidades, quanto defeitos.Acho, contudo, que a vida adulta me trouxe a tão desconhecida e proclamada justiça.Palavra bonita, mas de pouca efetividade na maioria das vezes. Do ano que tive, conquistei o que fatalmente seria meu, pelo esforço, pelo destino, ou por todos eles juntos, e perdi o que iminentemente seria tirado de mim em função da minha falta de dedicação.Simplesmente, justo. 2008 foi o ano dos valores, das medidas, das viradas e dos pesos. Acredito, inclusive, que não tenha sido só pra mim, pois vejo ao redor mudanças significativas em todos que me cercam, aqueles que os cercam também, e assim por diante. Consegue sentir ?
Eu preciso nos permitir liberdade. Enclausuro-te em mim, para que assim eu me prenda também. E me cego. Esqueço a razão, as falas, as estradas e simplesmente paro, meu caminho morto. É seguro não te dar espaço, pois também não o quero ter.Não verdadeiramente, porque adoro ser livre e sentir o gosto da vida pulsante, mas preciso me sentir assim acorrentada para que eu possa me considerar tua. É estranho, sei disso. Nunca consegui manter a sanidade quando julgava amar alguém, então imaginas agora que amo mesmo, o quanto difícil me é a vida real.Te amo, sem dúvida alguma. Amo-te de um amor descompromissado, enorme, vivo, mas ele não me cabe, às vezes, sufoca. Gosto dessa intensidade, só sei ser assim, me conheces bem pra saber que é verdade: sou sempre 8 ou 80. Perdoa essa falta de tato, de paladar, pra saber saborear nossa vida com toques leves e precisos. Aos poucos esses longos e desajeitados dedos compreendem teu espaço em mim, em nós, e se acomodam as curvas desse sentimento. Até que isso aconteça, te peço, amor da minha vida, um pouco mais da tua santa e incansável paciência.E mais uma vez agradeço por dividires teus dias comigo.

2 de jan. de 2009

Canário...amarelo...S.H

Eu queria ter podido te dizer tudo que estava engasgado aqui dentro, mas por não saberes ouvir, e por eu não saber amansar meus coices, preferi não dizer e me afastar. Ambas temos defeitos, inúmeros, diga-se de passagem, porém um destes teus me feriu profunda e irreversivelmente:o descaso. Pode parecer que não, talvez tenha sido um grande e grave erro de comunicação, o fato mesmo é que quando eu mais precisei de ti, tu querias teu casaco. Entende o quanto isso pode ser fatal? Na semana em que eu abdiquei do mundo, aquela em que te avisei que tinha tanto medo da morte quanto da vida e que disse que o tempo que sobrava e o que faltava eu dedicaria a ela, no hospital? Pois bem, tu me ligaste, 2, até três vezes, mandaste recados no orkut, porém a finalidade não era ir me ver, ou me acudir da queda que viria certo, era apenas pegar um casaco. Eu entendo tuas limitações quanto a doentes, acredito que todos tenham, porém teres me faltado neste momento crucial pra mim foi como um nó na garganta. Tentei pensar em uma forma de dizer sem machucar, calei e os dias foram passando.Hoje, há um gelo enorme entre nós, saudade e mágoa. Nenhuma vez tentaste reaver nossa amizade, e ainda não sei porquê. Sempre parti do pressuposto que amigas fazem tudo..vão a pagode, quando preferem rock; levam a centro espírita quando acreditam em padres, engolem fundo e seguram a mão uma da outra quando a doença chega, quando a morte apita. Pode parecer pouco, mas vc não estava lá. Alguém tão próxima quanto a L., que perdera uma pessoa importante 3 semanas antes, pegou as malas, respirou fundo, quase chorou no corredor, e entrou no quarto, sorriu pra ela e ficou ali. A força que eu recebi naquele momento foi imensa, porque eu sabia que se ela, L., podia superar algo tão forte, eu também poderia superar algo assim. Sabe, flor, esperei isso de ti.Talvez não tenha esperado um sacrifício tão grande, afinal, cada um dá o que pode, o problema disso tudo é que tu só me deu o que uma conhecida daria, um recado, um "como ela tá?". E tu, entre todos esses que me rodeiam, importa. Por isso doeu tanto, por isso hoje estou tão longe, tão distante do teu caminho. Vejo tuas fotos, que contrariam tudo que tu nos dizia e não sei o que pensar, só sei que estás linda, como sempre te dizíamos. Penso então que errada estávamos nós, por cobrar algo que tu não podia dar, mas penso também que por amor a alguém, se faz qualquer coisa e, eu te vi fazendo qualquer coisa por tanta gente que mal era alguém de verdade pra ti que imaginei que tu nunca me falharias.Engano feio.E eu não sei mesmo onde foi que isso tudo de perdeu....

Precisava desabafar...
essas coisas que a vida não explica...
Foi um 2008 mágico e triste
espero que tuas amizades sejam tão completas pra ti
e que te permitam ensinar e aprender algo

bjus