17 de jan. de 2009

Como nossos pais...

Dia desses reclamei do blog da minha mãe. Argumentei dizendo que a densidade dela me incomodava. É chato ler sempre frases dramáticas, melancólicas e tão lindas que instantaneamente arrancam lágrimas. Ela deu uma risada, não gostando e ignorando meu comentário. Hoje, reli os meus últimos posts e me deparei com tantas palavras pesadas que cheguei a cansar de ler na segunda, terceira linha. Não adianta fugir:somos iguais a eles. Não sei se é a educação, a convivência, o respeito ou admiração, mas algo em nós transforma esse ser em formação praticamente uma cópia do progenitor, não tem muito como escapar. Às vezes, as semelhanças são mais físicas do que psicológicas, outras, é justamente o contrário, contudo, por mais que neguemos, a verdade é extremamente latente.
Lembro-me que desde pequena queria escrever como minha mãe, adorava chorar lendo as poesias dela. Odiava quando as cartas eram pra mim e de saudade, porque me tiravam a paz e a felicidade durante uma semana inteira.Escrevi copiando o estilo dela, aos poucos fui enjoando e tentando desesperadamente achar algo que fosse meu.Nesse caminho, deparei-me com Lya Luft, Clarice Lispector, Martha Medeiros e Gabriel Garcia Marques e adorei a descoberta.Todos eles compartilham de uma qualidade estilistica que eu realmente gosto: a sinceridade. Não tem meias palavras, as coisas são cruas e comuns e desse cotidiano nasce história, poesia e bons conselho. Nada de linguagem rebuscada, metáforas complexas, tudo no preto e branco, doa a quem doer. Por um bom tempo consegui ser assim, mas ai apareceram os problemas e eu perdi completamente a leveza. Não consigui conter as emoções enquanto escrevia e o resultado está nos dois posts abaixo. Tudo que eu disse poderia ser resumido com "amor, me perdoa" e "tive uma no de merda e por isso fracassei no vestibular", apesar de que pensando bem não teria a menor graça ler as coisas assim tão vazias. Nem 8 nem 80. Vamos tentar de novo...literalmente!

15 de jan. de 2009

Dia desses ouvi a história da bailarina.Conheces? Fala a respeito de persistir e tornar-se aquilo que se sonha, ou simplesmente desistir.Instantaneamente, acabei por me identificar com aquela que torna fagulhas em teatros e traumas, que desiste e foge por medo do fracasso. Percebi que sempre corri de tudo e acho que me entendi humana assim. Outra coisa que descobri nessas tantas é uma batalha só pe ganha com luta, e quanto mais dura, mais difícil, mais intransponível, melhor é o sabor da conquista. Piegas? Completamente. Mas quem nunca se deparou com um óbvio complicadíssimo de se compreender verdadeiramente? Pois bem. Tive o melhor e o pior ano da minha vida, dividido graciosamente em dois semestres: o primeiro, da vida normal; o segundo, das tragédias gregas. E claro, a parte dramática veio acompanhada de um vestibular, o aniversário de 21, um "casamento", e uma grande desavença. Sem contar tpm, calor e 7 kg a mais. Não pense que estou reclamando, quero apenas que perceba como eu o quanto tudo sempre tende ao equilíbrio.Caos? Que nada! O equilíbrio é muito mais assustador que viver simplesmente em constante instabilidade. Consegues imaginar o tédio?É conveniente que as pessoas em geral acreditem na desordem, ela vende, assusta, promove a fé. Já a balança imóvel, ao centro, é verdadeiramente cansativa. Voltando ao assunto, de súbito recebi o que dei, e vice-versa, nem mais nem menos.Antes, na infância, era habituada a ganhar sempre mais, condição de menina mimada, de única bisneta entre uma tribo de mulheres efetivamente insuperáveis - tanto pelas qualidades, quanto defeitos.Acho, contudo, que a vida adulta me trouxe a tão desconhecida e proclamada justiça.Palavra bonita, mas de pouca efetividade na maioria das vezes. Do ano que tive, conquistei o que fatalmente seria meu, pelo esforço, pelo destino, ou por todos eles juntos, e perdi o que iminentemente seria tirado de mim em função da minha falta de dedicação.Simplesmente, justo. 2008 foi o ano dos valores, das medidas, das viradas e dos pesos. Acredito, inclusive, que não tenha sido só pra mim, pois vejo ao redor mudanças significativas em todos que me cercam, aqueles que os cercam também, e assim por diante. Consegue sentir ?
Eu preciso nos permitir liberdade. Enclausuro-te em mim, para que assim eu me prenda também. E me cego. Esqueço a razão, as falas, as estradas e simplesmente paro, meu caminho morto. É seguro não te dar espaço, pois também não o quero ter.Não verdadeiramente, porque adoro ser livre e sentir o gosto da vida pulsante, mas preciso me sentir assim acorrentada para que eu possa me considerar tua. É estranho, sei disso. Nunca consegui manter a sanidade quando julgava amar alguém, então imaginas agora que amo mesmo, o quanto difícil me é a vida real.Te amo, sem dúvida alguma. Amo-te de um amor descompromissado, enorme, vivo, mas ele não me cabe, às vezes, sufoca. Gosto dessa intensidade, só sei ser assim, me conheces bem pra saber que é verdade: sou sempre 8 ou 80. Perdoa essa falta de tato, de paladar, pra saber saborear nossa vida com toques leves e precisos. Aos poucos esses longos e desajeitados dedos compreendem teu espaço em mim, em nós, e se acomodam as curvas desse sentimento. Até que isso aconteça, te peço, amor da minha vida, um pouco mais da tua santa e incansável paciência.E mais uma vez agradeço por dividires teus dias comigo.

2 de jan. de 2009

Canário...amarelo...S.H

Eu queria ter podido te dizer tudo que estava engasgado aqui dentro, mas por não saberes ouvir, e por eu não saber amansar meus coices, preferi não dizer e me afastar. Ambas temos defeitos, inúmeros, diga-se de passagem, porém um destes teus me feriu profunda e irreversivelmente:o descaso. Pode parecer que não, talvez tenha sido um grande e grave erro de comunicação, o fato mesmo é que quando eu mais precisei de ti, tu querias teu casaco. Entende o quanto isso pode ser fatal? Na semana em que eu abdiquei do mundo, aquela em que te avisei que tinha tanto medo da morte quanto da vida e que disse que o tempo que sobrava e o que faltava eu dedicaria a ela, no hospital? Pois bem, tu me ligaste, 2, até três vezes, mandaste recados no orkut, porém a finalidade não era ir me ver, ou me acudir da queda que viria certo, era apenas pegar um casaco. Eu entendo tuas limitações quanto a doentes, acredito que todos tenham, porém teres me faltado neste momento crucial pra mim foi como um nó na garganta. Tentei pensar em uma forma de dizer sem machucar, calei e os dias foram passando.Hoje, há um gelo enorme entre nós, saudade e mágoa. Nenhuma vez tentaste reaver nossa amizade, e ainda não sei porquê. Sempre parti do pressuposto que amigas fazem tudo..vão a pagode, quando preferem rock; levam a centro espírita quando acreditam em padres, engolem fundo e seguram a mão uma da outra quando a doença chega, quando a morte apita. Pode parecer pouco, mas vc não estava lá. Alguém tão próxima quanto a L., que perdera uma pessoa importante 3 semanas antes, pegou as malas, respirou fundo, quase chorou no corredor, e entrou no quarto, sorriu pra ela e ficou ali. A força que eu recebi naquele momento foi imensa, porque eu sabia que se ela, L., podia superar algo tão forte, eu também poderia superar algo assim. Sabe, flor, esperei isso de ti.Talvez não tenha esperado um sacrifício tão grande, afinal, cada um dá o que pode, o problema disso tudo é que tu só me deu o que uma conhecida daria, um recado, um "como ela tá?". E tu, entre todos esses que me rodeiam, importa. Por isso doeu tanto, por isso hoje estou tão longe, tão distante do teu caminho. Vejo tuas fotos, que contrariam tudo que tu nos dizia e não sei o que pensar, só sei que estás linda, como sempre te dizíamos. Penso então que errada estávamos nós, por cobrar algo que tu não podia dar, mas penso também que por amor a alguém, se faz qualquer coisa e, eu te vi fazendo qualquer coisa por tanta gente que mal era alguém de verdade pra ti que imaginei que tu nunca me falharias.Engano feio.E eu não sei mesmo onde foi que isso tudo de perdeu....

Precisava desabafar...
essas coisas que a vida não explica...
Foi um 2008 mágico e triste
espero que tuas amizades sejam tão completas pra ti
e que te permitam ensinar e aprender algo

bjus