Dia desses reclamei do blog da minha mãe. Argumentei dizendo que a densidade dela me incomodava. É chato ler sempre frases dramáticas, melancólicas e tão lindas que instantaneamente arrancam lágrimas. Ela deu uma risada, não gostando e ignorando meu comentário. Hoje, reli os meus últimos posts e me deparei com tantas palavras pesadas que cheguei a cansar de ler na segunda, terceira linha. Não adianta fugir:somos iguais a eles. Não sei se é a educação, a convivência, o respeito ou admiração, mas algo em nós transforma esse ser em formação praticamente uma cópia do progenitor, não tem muito como escapar. Às vezes, as semelhanças são mais físicas do que psicológicas, outras, é justamente o contrário, contudo, por mais que neguemos, a verdade é extremamente latente.
Lembro-me que desde pequena queria escrever como minha mãe, adorava chorar lendo as poesias dela. Odiava quando as cartas eram pra mim e de saudade, porque me tiravam a paz e a felicidade durante uma semana inteira.Escrevi copiando o estilo dela, aos poucos fui enjoando e tentando desesperadamente achar algo que fosse meu.Nesse caminho, deparei-me com Lya Luft, Clarice Lispector, Martha Medeiros e Gabriel Garcia Marques e adorei a descoberta.Todos eles compartilham de uma qualidade estilistica que eu realmente gosto: a sinceridade. Não tem meias palavras, as coisas são cruas e comuns e desse cotidiano nasce história, poesia e bons conselho. Nada de linguagem rebuscada, metáforas complexas, tudo no preto e branco, doa a quem doer. Por um bom tempo consegui ser assim, mas ai apareceram os problemas e eu perdi completamente a leveza. Não consigui conter as emoções enquanto escrevia e o resultado está nos dois posts abaixo. Tudo que eu disse poderia ser resumido com "amor, me perdoa" e "tive uma no de merda e por isso fracassei no vestibular", apesar de que pensando bem não teria a menor graça ler as coisas assim tão vazias. Nem 8 nem 80. Vamos tentar de novo...literalmente!
só te quis
Há 10 anos
